quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Brasil está mudando para melhor!

Mesmo diante de muitas vozes pessimistas, acredito que nosso país está mudando e para melhor. Um dos bons sinais desta mudança foi a prisão, retratada na simpática montagem acima, do reincindente Sr. José Roberto Arruda, desta vez Governador do Distrito Federal.

Arruda, viciado em esquemas de propinas e práticas parlamentares espúrias, um dos políticos mais populares de nossa história recente, passou o carnaval preso na carceragem da Polícia Federal em Brasilia.

Ainda que, imagino, esta carceragem seja muito melhor do que as prisões comuns para o resto dos cidadãos brasileiros, especialmente pobres e negros, é caso inédito, até onde minha memória funciona, de um governador, em pleno exercício do cargo, ser preso e afastado de suas funções, ainda que provisoriamente.

E não para por aí: seu vice, o sr. Paulo Otávio, falso evangélico, também envolvido em vários casos de escândalos já há alguns anos, deverá, ainda esta semana, renunciar ao seu cargo.

De fato há muito para se fazer em nosso país e creio que nós, cidadãos comuns, podemos proporcionar muita mudança a partir de nosso contexto. É necessário acreditar que o Brasil pode ser desenvolvido, também, na prática e aplicação da justiça.

Neste sentido, olhamos com esperança a prisão do Governador Arruda e o provável afastamento de seu vice e torcemos para que, daqui em diante, casos como esses sejam tratados da mesma forma, sob o rigor da lei (para todos), a fim de que possamos acabar, definitivamente, com a demoníaca cultura da impunidade em nosso país.

Reflexões sobre a Igreja - Será que há Esperança?

O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS à Igreja de hoje numa carta dirigida a Bento XVI. A missiva foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula nos meios eclesiais de todo o mundo.

"Santo Padre:

Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Vós, pois o meu coração sangra ao ver o abismo no qual se está precipitando a nossa Igreja. Certamente desculpará a minha franqueza filial, inspirada na "liberdade dos filhos de Deus" à qual nos convida São Paulo, e pelo meu amor apaixonado pela Igreja. Agradecer-lhe-ia também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que "são menos cinco" e que a situação não pode esperar mais.

Permita-me em primeiro lugar apresentar-me. Jesuíta egípcio libanês de rito melquita, de 78 anos. Desde há três anos sou reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de teologia no Cairo, diretor de Caritas-Egipto e vice-presidente de Caritas Internationalis para Oriente Médio e África do Norte.


Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos nas suas reuniões como Presidente dos superiores religiosos de institutos no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são antigos alunos. Por outro lado, conheço pessoalmente o Papa Chenouda III, a quem via com frequencia. E quanto à hierarquia católica de Europa, tive oportunidade de me encontrar pessoalmente muitas vezes com algum dos seus membros, como o cardeal Koening, o cardeal Schönborn, o cardeal Martini, o cardeal Daneels, o Arcebispo Kothgasser, os bispos diocesanos Kapellari e Küng, os outros bispos austríacos e outros bispos de outros paises europeus. Estes encontros acontecem devido às minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suiça, Hungria, França, Bélgica... Nestas viagens dirijo-me a auditórios muito diferentes e aos media (periódicos, rádios, televisões...). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.


Visitei cerca de cinquenta paises nos quatro continentes e publiquei uns 30 livros em 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, quiçá tenha "Gottessöhne, Gottestöchter" [Filhos, Filhas de Deus], que lhe fiz chegar pelo seu amigo o P. Erich Fink de Baviera.

Não digo isto para presumir, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções fundamentam-se num conhecimento real da Igreja universal e da sua situação atual, em 2009.

Volto ao motivo desta carta, intentarei ser breve, claro e o mais objetivo possível. Em primeiro lugar, umas quantas constatações (a lista não é exaustiva):

1. A prática religiosa diminui constantemente. As igrejas são frequentadas por pessoas cada vez mais idosas que vão desaparecer num prazo bastante curto.

2. Os seminários e os noviciados esvaziam-se de dia para dia e as vocações desaparecem a um ritmo assustador. O futuro apresenta-se sombrio e não vemos quem virá atrás de nós para melhorar a situação.

3. Muitos padres deixam o exercício sacerdotal e o pequeno número dos que vão ficando, cuja idade frequentemente ultrapassa a da reforma, são obrigados a assumir o encargo de várias paróquias, fazendo-o de uma maneira apressada
e administrativa.

4. A linguagem da Igreja é anacrônica, aborrecedora, repetitiva, moralizadora e completamente inadaptada à nossa época. Não pretendo afirmar que se deve dizer sim a tudo nem adotar uma atitude demagoga, pois a mensagem do Evangelho deve apresentar-se com toda a sua exigência e significado. O importante é começar a “nova evangelização” de que falava João Paulo II. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não consiste na repetição de tudo o que é antigo e que não interessa a quase ninguém, mas na invenção duma nova maneira de proclamar a fé aos homens do nosso tempo.

5. Para o conseguir, é urgente uma renovação profunda da teologia e da catequese que devem ser completamente repensadas e reformuladas. Infelizmente, temos de constatar que a nossa fé é demasiado cerebral, abstrata, dogmática e que fala bem pouco ao coração e ao corpo.

6. A consequência é que uma grande parte dos cristãos foram bater à porta das religiões asiáticas, das seitas, da “new age”, do espiritismo, das igrejas evangélicas ou de outras parecidas. Ficamos admirados? Eles buscam noutro lado o alimento que não encontram entre nós, pois têm a impressão que em vez de pão lhes oferecemos pedras.

7. No que respeita à moral e à ética, as imposições do magistério sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados casados de novo, etc., já não interessam a quase ninguém e provocam nas pessoas cansaço e indiferença.

8. A Igreja católica que, durante séculos, foi a grande educadora na Europa, esquece que esta Europa se tornou adulta e intelectualmente madura, recusando ser tratada como uma criança que ainda não atingiu a idade do uso da razão. As maneiras paternalistas duma Igreja “Mater et Magistra” passaram de moda e são rejeitadas pela nossa época.

9. As nações que outrora foram as mais católicas deram uma reviravolta de 180 graus, caindo no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença...

10. O diálogo com as outras igrejas e religiões tem recuado. O progresso constatado durante meio século está atualmente muito comprometido.

Perante tais constatações, a reação da Igreja é dupla:

· Ou considera sem importância a gravidade da situação e se consola constatando certos fervores e conquistas no campo tradicionalista ou nos países pobres ou a caminho de um certo desenvolvimento e progresso.

· Ou invoca a confiança no Senhor que a socorreu em muitas outras crises durante 20 séculos e que vai continuar a ajudá-la também neste momento difícil.

A isso eu respondo:

· Para resolver os problemas de hoje e de amanhã, não basta refugiar-se no passado nem apoiar-se em amostras sem fundamento sério.

· A aparente vitalidade da igreja nos continentes em vias de desenvolvimento é falaciosa. Mais cedo ou mais tarde, essas novas Igrejas passarão pelas mesmas crises vividas pelo actual cristianismo europeu.

· A modernidade é incontornável e foi por a Igreja ter esquecido isto que passa hoje por uma tal crise.

· Por que razão continuar uma política como um jogo da cabra-cega? Até quando recusar ver as coisas como elas são? Porque é que havemos de tentar salvar as aparências, uma fachada que hoje não consegue convencer ninguém? Até quando continuar nesta teimosia, nesta crispação de recusar todas as críticas, em vez de ver nelas uma ocasião de se renovar? Até quando iremos adiar uma reforma que se impõe imperativamente e que já tardou demais?

· Repito o que disse no princípio: é pouco o tempo que nos fica. A história não fica à nossa espera, sobretudo numa altura em que o ritmo se acelera e tudo anda tão depressa.

· Qualquer empresa comercial, ao constatar prejuízos ou um mau funcionamento, põe-se imediatamente em questão, convoca peritos, tenta recuperar, mobiliza todas as suas energias para se transformar radicalmente.

· E a Igreja? Quando pensa ela mobilizar todas as suas forças vivas para uma transformação integral? Vai ela continuar dominada pela preguiça, cobardia, medo, orgulho, falta de imaginação e criatividade, por um quietismo culpável, convencida de que Deus tudo vai arranjar e de que a situação atual acabará por ser ultrapassada como já o foram outras situações, talvez piores, no passado?

· O que se pode então fazer: A Igreja precisa de três reformas urgentes:

· Uma reforma da sua teologia e da sua catequese, repensando completamente a fé e reformulando-a de uma maneira coerente e compreensível para a sociedade contemporânea.

· Uma reforma da sua pastoral, abandonando as estruturas herdadas do passado.

· Uma reforma da sua espiritualidade, inventando outra mística e concebendo os sacramentos de outra maneira, para os encarnar na existência atual e adaptar à vida do homem de hoje. A Igreja é formalista demais. Temos a impressão de que a instituição abafa o seu carisma e de que, para ela, o importante é, ao fim de contas, a estabilidade exterior, superficial, aparente. Corremos mesmo o risco de que Jesus, um dia, nos trate “de sepulcros caiados”.

Para terminar, gostaria que houvesse em toda a Igreja um sínodo geral com a participação de todos os cristãos, católicos e não só, para analisar franca e abertamente todos os aspectos de que lhe falei e outros que poderiam ser sugeridos. Esse sínodo (evitemos a palavra concílio) duraria 3 anos e seria concluído por uma assembléia geral que faria um resumo de todos os resultados e elaboraria as conclusões.

Termino, Santo Padre, pedindo-lhe para me perdoar tanta franqueza
e audácia e solicitando a sua bênção paternal.


P. Henri Boulad, s.j.

henriboulad@yahoo.com

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma discussão inútil!

Como não poderia deixar de ser, após a última e mais violenta tragédia na história do Haiti, ateus e teólogos de plantão se debruçam sobre a recorrente discussão acerca da existência de Deus.

Para alguns, tais eventos são prova cabal da absoluta soberania do "acaso" e da falta de sentido da história humana. Assim, nossa existência se revela uma piada sem graça, com disse Albert Camus. Para outros, Deus "encontra" oportunidade para se revelar mesmo nestas catástrofes naturais que geram tanta dor e sofrimento. Retorna, portanto, a velha tensão entre "como falar de Deus após o terremoto no Haiti?", contra o "como não falar de Deus após o terremoto?"

Na verdade esta discussão se revela inútil e incoveniente neste momento de grande dor. Penso que este não é o tema de reflexão mais importante para estes dias, sem falar na falácia dos argumentos contra Deus, pois se Ele prova a sua inexistência por estes eventos, como disse uma respeitada intelectual brasileira, as grandiosas maravilhas naturais não seriam provas de Sua existência, então? Aliás, estas são muito mais numerosas e eloquentes do que as tragédias.

Tais acontecimentos, não há dúvidas, são terríveis e nos abalam a todos. Por outro lado, creio que podemos tirar lições de grande importância destes eventos que, se aprendermos, poderíam diminuir até mesmo o impacto destes fenômenos naturais sobre os povos por eles atingidos.

A primeira lição é que devemos desenvolver uma consciência planetária, ou seja, de que estamos intrinsecamente unidos e que a nossa felicidade pessoal depende, em muito, da felicidade dos outros. Isso se aplica a indivíduos e também a povos e nações.

A segunda é que temos que ser solidários em todo o tempo. Fico a pensar se somente tais eventos nos farão sensíveis à dor e sofrimentos dos outros. O Haiti conhece tragédias há muitos anos, juntamente com outros povos da América Latina, da África e Ásia, mas são esquecidos pelos países ricos durante décadas. Somente desastres desta magnitude parece despertar a atenção do mundo, mas não deveria ser assim. Aliás, geralmente a população destes países é muito indesejável quando, em busca de melhores condições de vida, resolvem cruzar oceanos em busca de trabalho e comida nos países ricos, especialmente os europeus.

A terceira lição é que devemos parar de colocar a culpa em Deus. Temos que ter a humildade para reconhecermos nossos erros (citados acima) e assumirmos, definitivamente, a responsabilidade na construção de nossa história, pois se Deus existe (e eu creio nisso) Ele nos outorgou a responsabilidade por nossos atos e pela construção de nossa história. Entretanto, se não lutarmos para acabarmos com as injustiças sociais que existem no mundo, se nossos valores não forem repensados, se continuarmos priorizando sobre todas as coisas o lucro, a competição, o mercado, acima até mesmo do próprio ser humano, continuaremos caminhando para a nossa destruição. Se não formos destruídos pelas consequências de nossas agressões aos meio ambiente, nos autodestruiremos pelas guerras e por sublevações da massa faminta e miserável que colocarão os governos democráticos em situação de grande perigo.

Portanto, é sempre mais fácil cairmos nessa discussão inútil da existência de Deus e o responsabilizarmos por nossas desgraças, o que na verdade é uma grande incoerência, já que geralmente os ateus acusam os religiosos de adorarem a um Deus que nada mais é que a projeção do pai. Estes revelam não somente uma contradição em seus argumentos, mas até mesmo uma concepção infantil da divindade. Tropeçam naquilo que condenam. Eles negam a Deus porque queriam um Deus-paizão na verdade. Freud explica!

A hora é para nos unirmos e fazermos grande esforço para não esquecermos destes eventos quando as coisas "voltarem ao normal", quando os canais de televisão deixarem de abordar este tema. Não é hora de discussões inúteis, mas de uma atitude madura de, definitivamente, buscarmos construimos a paz no mundo que só poderá ser real qundo as injustiças sociais forem reparadas. Nós podemos fazer isso. Isso não é responsabilidade de Deus!


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estou voltando!!!

Caros amigos, depois de uns dias de férias e preguiça estou voltando. Obrigado pelas visitas frequentes e peço que me acompanhem sempre, pois estou voltando com ritmo e "gás".
Os projetos pessoais para este ano estão caminhando bem e logo vocês participarão de tudo isso.
Tentarei colocar uma postagem a cada dia e logo estarei "diversificando" ainda mais este trabalho.
Um grande abraço e a benção de Deus seja sobre vocês.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Estou farto!

Acabei de ler uma asquerosa crítica à Senadora Marina Silva. Faltam dados, falta seriedade, falta responsabilidade!

A crítica foi publicada num site que se propõe ser arauto de mídia séria! Mas, de fato, é porta-voz do que era chamado, no tempo em que as ideologias estavam na pauta, de extrema direita.
Parece que ainda há quem tenha saudade do tempo em que se torturava a quem quisesse, quando quisesse.

Gente para quem a palavra democracia não significa nada.

Recentemente, um artigo publicado nessa mídia me citou, acusando-me de esquerdista, pró-aborto e de pró-gayzismo. E já fui questionado quanto a isto.

Não sou pró-aborto, mas, também, não sou a favor desse estado de coisas, onde a mulher é usada e abusada, onde a orientação sexual não chega aos pobres, onde o Estado se omite e faz vistas grossas ao estado de violência a qual o jovem e, principalmente, a moça está submetida, pela alienação das drogas e dos bailes funks, que sustentam o machismo que faz da mulher o mais abjeto objeto. E não sou contra a mulher vítima de estupro, e cuja gravidez lhe seja fatal, ser assistida na interrupção de sua gravidez.

Não sou pró-gayzismo, seja lá o que isso signifique, mas sou a favor dos direitos civis. Sou contra a tentativa do movimento gay de reescrever a Bíblia, mas, também, sou contra privar os homossexuais do usufruto do património de construção conjunta. Sou contra o impedimento de ajudar a um homossexual que o queira deixar de ser, como sou contra a hostilização de um ser humano porque ele ter se declarado homossexual.

A palavra esquerdista não faz mais sentido, nos dias correntes. Eu sou progressista! Sou a favor da reforma agrária, do acesso universal à educação, à moradia, à saúde, ao transporte urbano, à alimentação adequada. Sou a favor da distribuição de renda, da erradicação da pobreza, da sustentação do meioambiente e da democracia.

Sabe de uma coisa? Eu não sei quanto a você, mas eu estou farto dessa gente que se acha dona da verdade, e que, em nome do que acham ser a verdade, vivem a matar pessoas.
Farto dessa gente que se apossou de Deus, como se Deus fosse um objeto que se possa ter e manipular.

Essa gente que não considera como semelhante quem não concorda com eles!
Recentemente, também, uma série de e-mails anônimos foram disparados me caluniando, tentando me vender como um pecador dissimulado, para dizer o mínimo.
Estou farto desses covardes, sem caráter que, por detrás do anonimato, vivem a tentar destruir a vida dos outros.

Estou farto dos que dão ouvidos a eles, fazendo valer a calúnia e a difamação.

Estou farto dessa gente que anima suas rodas de amigos falando mal dos outros, zombando da desgraça alheia.

Farto dessa gente que vê fantasma em todo o lugar, que está sempre procurando alguém para atacar e para destruir.

Estou farto dessa gente que não sabe o que é debate intelectual, que toma tudo como pessoal, porque se vê como a medida para a verdade.

Farto dessa gente que em vez de pregar o Evangelho, fica checando se os outros o estão.
Checando se o outro crê “certo”.

Estou tão farto disto, tanto quanto, dos que estão invocando Deus para obter dinheiro para os seus negócios, travestidos de ministérios,de igreja ou de denominação.

Dos que lutam pelo poder denominacional, transformando o Odre em algo mais importante do que o Vinho.

Também, me fartei dessa gente que quer destruir tudo, confundindo a igreja local com a deturpação da denominação, confundindo o povo com os seus maus líderes e que se tornam líderes tão maus quanto os que condenaram, e que saem pelo mundo atacando os pastores e as estruturas com a mesma fúria dos que as estão usando para benefício próprio.

Estou farto desses apóstolos que venderam que tinham de ser apóstolos para derrubar as potestades nas cidades, as mesmas que foram destronadas na Cruz de Cristo!

Estou farto dos que não usam o título de apóstolos, mas agem do mesmo jeito!

Estou farto dos liberais, que rasgam a Bíblia e saem a zombar de quem crê.

Estou farto desses ecuménicos que dizem celebrar a fé, de modo indistinto, mas não conseguem estender a mão para o irmão pentecostal.

Mas jamais me fartarei da Igreja:

A Igreja é a comunidade da fé! É a nossa casa!

A Igreja é lugar de perdão e de reconciliação.

O que é oferecido a todos nós, inclusive para os que agem como se não o precisassem, é a oportunidade de se arrepender.

A fé cristã não prega a impecabilidade, prega o arrependimento!

A fé cristã prega que o amor é demonstrado no perdão e no serviço!

A gente deve continuar a lutar pela Igreja!

Continuar a lutar pelo resgate da humanidade, e de toda a criação de Deus.

Nosso problema não está no termos pastores ou presbíteros, mas em sermos todos apascentadores.

Nosso problema não está em darmos dízimos e ofertas, mas em como ofertamos, e como usamos as nossas ofertas e dízimos.

A Igreja somos nós, e o único Ungido é Cristo Jesus.

Todo poder: seja religioso ou econômico ou de qualquer natureza, tem de ser controlado pela totalidade do povo.

Se você está farto como eu, não saia da Igreja, Igreja é invenção de Jesus.

"Jesus disse que onde 2 ou 3 estiverem reunidos em seu nome, ele lá estaria." Mt 18.20

Jesus seria a 4ª pessoa naquela reunião.

Jesus seria a visita especial.

Ali Ele segredaria o que não pode dizer pessoalmente. Paulo disse que só com os demais irmãos é possível conhecer o amor de Cristo, em toda a sua dimensão. Ef 3.18

Alguns têm entendido que essa reunião é o fim de toda a formalização, a comprovação de que nunca precisamos de formalização alguma.

Mas, o que é reunir-se em torno de Jesus?

Jesus instituiu como reunião em torno dele a reunião em torno da ceia do Senhor.

Jesus disse que toda a vez que comêssemos do pão e bebêssemos do vinho, o anunciaríamos, até que ele volte. 1 Co 11.26

É em torno da ceia do Senhor que nos reunimos em nome do Senhor.

Isso é formalização: tem hora, tem maneira e tem lugar. E é seríssima, pois Paulo disse que, dependendo da forma como participamos da ceia, podemos sofrer consequências, inclusive morrer mais cedo. Logo, também tem liturgia. 1 Co 11.27-30

Então, reunir-se em nome de Jesus é reunir-se em torno da ceia.

Lá anunciamos o perdão com o que somos perdoados e com que perdoamos.

Lá anunciamos a ressurreição, o poder pelo qual vivemos.

Lá o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.

Lá é a reunião da Igreja!

Todas as reuniões só serão da igreja se o forem em torno da mesa, mesmo que a mesa não seja arrumada para aquele dia.

A mesa da ceia é a mesa da comunhão. Lá nasceu a Igreja e lá ela é mantida.


Texto publicado no site http://www.creio.com.br, atribuído ao Pr. Ariovaldo Ramos, uma das poucas lúcidas vozes da liderança evangélica brasileira.

sábado, 9 de janeiro de 2010

No momento, não é permitido sequer sonhar. Talvez daí provenha a angústia: não poder sonhar!

Dizem que os sonhos nos alimentam. Nos encorajam.

A vontade de concretizá-los, unida a esperança de que se realizem faz-nos querer viver o amanhã.

Como pensar em amanhã quando já sabemos o que nos espera? O amanhã já virou ontem. E ontem...esse filme já passou?

Pois é... não falo dos sonhos naturais que todos podem ter à vontade: sucesso, saúde, família.... Falo daqueles que não podemos sequer mencionar.

Que ficam ali, escondidos de tudo e de todos.

Tão absurdos que não temos coragem nem mesmo de pensá-los no silêncio da noite, quando todos dormem e ninguém pode ouvir ou ver.

Não se pode fazer do outro a razão da existência.

Nem dos sonhos.

Pode-se ocupar o vazio deixado por eles com todas as outras coisas com as quais todos os mortais ocupam a vida, mas eles continuarão ali,

Escondidos, desgarrados, solitários, excluídos. E fingimos que aquilo nunca foi sonhado, nunca aconteceu.

Até que um dia, quando não mais existirmos, os levemos conosco para a paz da inexistência.

Texto de Janaína R. Pires

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Quero voltar ao primeiro amor!

Graça e Paz da parte de nosso Senhor, Jesus Cristo.

Neste final de ano eu, particularmente, gostei muito de uma palavra trazida pelo pastor Jailton, contrastando a humildade e simplicidade do Natal, representada no presépio, com a abundância de luzes, a riqueza de enfeites, a fartura de alimentos e distribuição de presentes. (Lc 2.1-11)

Como é costume nesta época, envio mensagens para pessoas que são queridas e este ano não foi diferente. Mas, desta vez, aproveitei o gancho daquela palavra e enviei mensagens a colegas, parentes e amigos dizendo que todos estes símbolos natalinos são muito bons, mas não fazem nenhum sentido se perdermos o foco no motivo da celebração: Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor!

Aquela palavra, de humildade, simplicidade e poder de Deus, veio confirmar também algo que tem me incomodado há algum tempo e que gostaria de compartilhar com você: Quero voltar ao primeiro amor! Mas, a que primeiro amor eu me refiro?

A igreja moderna tem hoje à sua disposição diversos recursos tecnológicos, científicos e artísticos da mais alta qualidade: equipamentos de som e vídeo, computadores, bíblias eletrônicas, sites na Internet, treinamento para líderes, técnicas de evangelismo, marketing para igrejas, músicas, videoclips, filmes, literatura e etc.

Esta fartura, sem precedentes na história, tem levado a igreja contemporânea a depender mais e mais destes recursos para realizar a obra de Deus. Nossa “clientela” está cada vez mais exigente e insatisfeita, e todo o esforço para manter e elevar o padrão de qualidade enfraquece o foco no que é mais importante: a dependência pura e simples no poder de Deus. (Lc 10.41-42) Certamente isto O desagrada e nos afasta da Sua presença. (Mt 12.18-21)

E quais têm sido os maiores resultados de tudo isto? De um lado, igrejas cheias destes recursos e lotadas de pessoas cujo coração continua angustiado, sofrido, carentes de um encontro verdadeiro com Cristo (Mc 6.34) e, do outro, igrejas desprovidas destes recursos, esforçando-se por consegui-los, mas apinhadas de bancos vazios. (Rm 12.16)

Ao dizer que quero voltar ao primeiro amor, me refiro a travar uma luta interior para inverter este paradigma, do antropocentrismo para o teocentrismo, como tem sido desde Adão. Deixar o controle totalmente nas mãos de Deus e viver a aventura de ser guiado somente pelo Seu Santo Espírito. Não depender de tecnologia, ciência ou arte para realizar a obra de Deus, muito embora possa e deva lançar mão destes meios, desde que não sejam empecilhos, tropeços ou complicadores para a realização da Sua obra. Como diz o Salmista: Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus. (Sl 20.7)

Desde já, quero voltar a este primeiro amor, lembrando sempre da mensagem do Natal: simplicidade, humildade e poder de Deus!

Como fazer? Bom, poderia começar planejando... Melhor, não! Prefiro confiar em Deus para me guiar nesta jornada! (Mt 11.29-30)

Rogo que o seu ano de 2010 seja simplesmente diferente! Afinal, embora eu e você não tenhamos controle sobre as circunstâncias, temos controle sobre nossas reações a elas, e isto faz toda a diferença!

Que Deus nos abençoe e guarde.

Abraços fraternos,

Nelson Singer