segunda-feira, 26 de julho de 2010

Agredidas em nome de Deus, elas pedem ajuda

“Não tenho nenhum carinho. Só palavrões. A agressão verbal às vezes é pior que tapa. Um tapa você revida, mas a mágoa nada pode tirar.”

Quem vê Antonio na rua, Bíblia debaixo do braço, roupa social, jeito de gente boa, já imagina: “O sujeito é crente.” Na igreja, então, o homem é um exemplo de bondade. É calmo, freqüenta o curso para se tornar obreiro (quando se formar, dará aula na escola dominical), vira anjo ao cruzar a porta do templo. “Faz pregações maravilhosas”, diz a mulher, Joana, 39 anos, casada há 15 com Antonio. “Ele fala sobre a paz e como todos devem amar seus inimigos.”


Só que Antonio, manso como uma ovelha do rebanho do Senhor ao lado de seus “irmãozinhos”, se transforma em bicho bravo quando está sozinho com a família. Dentro de casa, diz palavrões, agride a mulher. “Ele já me agarrou pelo cabelo e me jogou em cima da cama”, conta Joana. “Também atirou um frasco de xampu na minha cabeça. Não sei por que age assim.”

Como Joana, outras evangélicas, com saias longas, cabelos e mágoa pesando sobre os ombros, também não entendem a mudança de seus homens quando eles põem os pés fora da igreja e brandem as mãos dentro de casa. E, cansadas de não achar refúgio na paz de seus templos - elas preferem não divulgar o nome das igrejas que freqüentam -, encontraram abrigo na Casa de Isabel, uma ONG da Zona Leste que, em parceria com a Prefeitura e o Estado, oferece assistência psicológica e jurídica a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A romaria de evangélicas à Casa de Isabel está assustando a pesquisadora da área da violência e presidente da entidade Sônia Regina Maurelli. A ONG atende 3 mil mulheres por mês. “Posso afirmar que 90% são freqüentadoras assíduas de igrejas evangélicas”, diz a pesquisadora. “Me surpreende é ver as mulheres submetidas à doutrina das igrejas. Ser submissa não é tolerar espancamento.”

Analisando suas estatísticas, Sônia observa que grande parte das igrejas não oferece aos fiéis um trabalho de aconselhamento. “Se existisse, esta casa não estaria tão cheia. Acredito que essas mulheres estão nos procurando porque estão lendo e se informando mais.” Joana, a mulher de Antonio, admite que as portas da Casa de Isabel foram as únicas que se abriram para socorrê-la: “Procurei a pastora da minha igreja e ela me falou que problema como o meu tinha de ser resolvido entre marido e mulher.”

A palavra-chave citada pelas evangélicas ouvidas pelo JT foi “submissão” - além de Joana, Lurdes, 33 anos, e Ana, 54, concordaram em falar sobre o que acontece dentro de suas casas. Joana diz: “Quando reclamo com o Antonio, ele fala de um versículo bíblico: ‘Mulheres, sujeitai-vos aos vossos maridos’. Só que a Bíblia não fala para a gente ser escrava deles.”

Ana, 33 anos de casada, convive com o marido que esqueceu os ensinamentos sobre respeito e harmonia: “Não tenho nenhum carinho. Só palavrões. A agressão verbal às vezes é pior que tapa. Um tapa você revida, mas a mágoa nada pode tirar.” Muitas vezes, Ana pensou em separação, mas desistiu: “Ele me xinga. Depois fica mansinho e lava a louça para mim.”

Joana também fica dividida entre deixar Antonio, por causa das agressões, e a culpa que sente por não se considerar uma boa dona de casa. “Não sei arrumar um guarda-roupa tão impecável como minha mãe”, conta. “Detesto passar roupa e ele só usa camisa social.”

Casada há 9 anos, Lurdes, até pouco tempo atrás, ia com o marido à igreja. Hoje, depois de uma decepção, ele parou de freqüentar o templo: ” Viu uns ‘irmãos’ da igreja bebendo num bar e ficou revoltado. Não me bate, mas me humilha e diz todo tipo de palavrões.”

A vida de Lurdes se tornou mais difícil depois que, meses atrás, foi vítima de estupro. “Começou a dizer que, se fui atacada, é porque dei bola para o estuprador. Eu não exponho meu corpo. Mas meu marido não teve compreensão. Vive dizendo: ‘Você não é uma mulher direita’. Não posso contar com ninguém na igreja porque lá me dizem: ‘Ninguém precisa de psicólogo. Aqui, o psicólogo é Jesus’.”

Ê maridão amoroso, dá-lhe porrada na mulher em nome de Jesus, porque ele te ama !!

Fonte: http://www.jt.com.br/editorias/2006/03/08/index.xml
http://ceticismo.net/2008/07/07/agredidas-por-evangelicos-elas-pedem-ajuda/
Ano: 2006
escrito por Abbadon

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Quem sou eu?



Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.




Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?

Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!

Dietrich Bonhoeffer foi um grande teólogo protestante alemão, considerado um dos mais relevantes do século XX. Perseguido e aprisionado pelo nazismo, foi enviado a um campo de concentração, onde foi executado, já em fins da Segunda Guerra.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gol para o Planeta

O Brasil perdeu, mas os projetos continuam. O projeto “Gol para o Planeta” traz a vocês minha primeira produção cultural – um videoclipe. Ele foi filmado e gravado com as pessoas da comunidade do Mato Alto, Jacarepaguá, sem nenhum subsídio. Dentre as alegrias, era ver uma costureira, que volta a estudar, termina o ensino médio e ajuda a dirigir um videoclipe.
Trabalhei nessa comunidade por quase cinco anos e agora queremos transformar as experiências de inclusão em documentário, curta e talvez um filme.
Você só precisa indicar o link abaixo para seus amigos. Com o máximo de visitas no you tube, incluiremos tudo no projeto e solicitaremos a criação de um “ponto de cultura” nessa comunidade para financiar esses sonhos, que geram vida.

Com amor Dell Delambre


quarta-feira, 23 de junho de 2010

O judeu de Bethesda

"Se livro fosse cultura, os cupins seriam os seres
mais cultos do globo. Só livro lido é cultura"

Último dia de aula na escola Walt Whitman. Situada em Bethesda, um bairro intelectualmente sofisticado da região de Washington (DC), é uma das melhores dos Estados Unidos. O pimpolho volta para casa. Poderia estar sonhando com três meses de vadiagem, longe dos livros. Mas o sonho duraria pouco. Ao fim da tarde, chega o pai judeu, carregando uma sacola de livros recém-comprados. Chama o filho, esparrama os livros na mesa da sala e começa a montar o cronograma de leituras, incluindo a cobrança periódica do que terá sido lido. Ignoro quantos pais judeus passaram também nas livrarias. Mas imagino que não foram poucos.

Ilustração Atômica Studio

Ler livros, glorificar livros, eis uma tradição judaica milenar. Vem de longe e não se buscam muitas explicações científicas para ela. Não obstante, Karl Alexander, da Universidade Johns Hopkins, somando aos 39 estudos sobre o assunto, completou uma pesquisa com alunos do ensino fundamental. Concluiu que, das vantagens acadêmicas acumuladas pelos alunos mais ricos até a 9ª série, dois terços advêm de atividades de leitura mais intensas durante as férias. Segundo a Secretaria de Educação americana, as perdas dos mais pobres nas férias são "devastadoras". Um pai judeu provavelmente diria: ora bolas, é o que sempre pensei. Mas, para a maioria das pessoas, os resultados são surpreendentes. Em matemática, foi possível comprovar que, durante as férias, os alunos esqueceram o equivalente a 2,6 meses de aula. Em outras palavras, somente 2,6 meses depois de recomeçarem as aulas os alunos atingem o nível de competência que tinham no último dia de aula da série anterior. Ou seja, férias são um horror para o aprendizado.

Trata-se de resultados valiosos para países que lutam bravamente para melhorar seu claudicante ensino. É simples, se for possível estancar a sangria do "desaprendizado" – que põe a perder 2,6 meses de estudos –, os ganhos serão enormes. Da ordem de 25%? Que outras intervenções seriam tão poderosas?

Tais ideias abrem caminho para muitas linhas de atividade. Pais interessados e comprometidos com a educação dos seus filhos podem fazer o mesmo que os judeus de Bethesda. Mas, vamos nos lembrar, se livro fosse cultura, os cupins seriam os seres mais cultos do globo. Só livro lido é cultura. Portanto, cobranças sem dó nem piedade. Mas seria só empurrar livros e mais livros goela abaixo dos filhos? Jamais! É preciso desenvolver o prazer da leitura, e o bom exemplo é essencial. À força, pode sair o tiro pela culatra. Que livros? Não adianta comprar Hegel, Spinoza ou Camões, se as leituras favoritas ainda não passaram muito da Turma da Mônica. É fracasso garantido. Os livros devem andar muito próximo do interesse e da capacidade de compreensão dos leitores, sempre puxando um pouco para cima.

Desviando parcialmente do assunto, quero sugerir aos pais que façam manifestações, que acampem em frente à casa dos prefeitos, até que se mude uma situação vergonhosa. Uma pesquisa recente com as bibliotecas públicas brasileiras pôs a descoberto que (além de fecharem às 6 da tarde) apenas 20% delas abrem aos sábados e só 1% aos domingos. Como é possível que, nas horas e dias de folga das escolas, as bibliotecas permaneçam fechadas? No caso das leituras de férias, são os únicos dias em que muitos pais poderiam ir à biblioteca para escolher livros com os filhos.

Para aqueles que cuidam da educação como ofício, as implicações da pesquisa da Johns Hopkins não são menos revolucionárias. Mostram ser preciso fazer alguma coisa, somente para conseguir não andar para trás nas férias. Por exemplo, programas públicos de leitura. Não são programas caros nem complicados, basta criar monitorias para garantir que as leituras sejam feitas.

Em um nível mais ambicioso, sobretudo para alunos mais vulneráveis, poderiam ser criados cursos de férias. Não se trata de fazer a mesma coisa que no período letivo, pois seria repetir um ensino aborrecido e pouco produtivo. Precisamos de projetos intelectualmente desafiadores, atividades que estimulem os miolos, jogos e muitas outras coisas. O que precisa ser aprendido não é muito diferente, mas viria vestido com roupas mais alegres. E, como sabemos que cabeça vazia é oficina do diabo, essas atividades podem até mesmo ter outras consequências benéficas, por evitar rumos pouco recomendáveis em que se deságuam as amplas energias desses jovens.


Claudio de Moura Castro é economista

terça-feira, 15 de junho de 2010

Projeto 2011

Em 2007 estive em Israel e Jordânia para estudos e aprimoramento de meu hebraico. Lá, senti a necessidade de fazer algo à favor das Nações Árabes, pouco evangelizadas, e pela igreja presente naqueles países, carente e perseguida.

De lá prá cá, tenho orado e mantido contatos para ver de que maneira posso ajudar.
Somado à isso, sinto que há muitos fazendo aqui em nossa nação pela igreja brasileira e poucos tem levantado os olhos para ver mais longe.

Por esta razão, quero dedicar minha vida para ser útil, também, aos irmãos que lutam com dificuldades, carências e, até mesmo, perseguição.


Assim, no próximo ano, a partir do Mês de Abril, estarei no Oriente Médio para conhecer mais acerca da igreja, suas necessidades e desafios para, de alguma forma, ajudarmos no apoio e compromisso da evangelização daqueles povos.


Minha permanência naquela região será por um período de seis meses e os custos da viagem serão elevados.

Quero solicitar sua parceria neste projeto, com suas orações e contribuições.

Assumo o compromisso de mantê-lo permanentemente informado de minhas ações a partir deste momento. Logo dedicarei um blog para o fim de informar os passos da viagem até o momento de sua concretização.


Segue a descrição dos custos estimados da viagem. Estes valores foram calculados em dólares americanos.

Passagem Aérea: 2.500,00
Hospedagem: 5.475,00
Alimentação: 1.825,00
Locomoção: 1.500,00

Total: 11.300,00

Se você quer participar deste projeto, os dados de minhas contas seguem abaixo:

Marco Antonio Monteiro Wanderley
CPF 215.444.412-15

Contas:

Banco do Brasil: Agência 2865-7 Conta 19524-3
Banco Real: Agência 0915 Conta 3007857

Você pode fazer uma oferta única ou contribuir mensalmente, segundo aquilo que o Senhor colocar em seu coração.

Gostaria, caso não se importe, de saber de sua participação. Escreva-me falando sobre isso.

Conto com você e que o Senhor abençoe sua vida.

Em Cristo

Marco

p.s. Veja e siga meu novo blog que tratará somente de temas relacionados à viagem: www.mamwanderley.blogspot.com

domingo, 30 de maio de 2010

RÁDIOS EVANGÉLICAS: EU JURO QUE TENTEI!

Há cerca de um mês eu mesmo me propus um desafio. Há tempos não parava para ouvir uma rádio evangélica, não que eu não tivesse tempo, eu não tinha mesmo era paciência. Mas fui duro comigo mesmo, e tentei. O que ouvi e percebi nesse desafio é o que passo a narrar neste texto.

Aqui quero abrir parênteses. Na lista de discussão do site no
yahoogrupos. com.br, o Renato Fontes escreveu o seu diário de sofrimento ao passar uma semana somente ouvindo rádios evangélicas. Confesso que ele foi mais corajoso que eu. Só agüentei poucas horas... e é sobre isso que quero falar.

Minha primeira conclusão é que estamos passando por um grande deserto. A igreja deve estar passando por um grande período de estiagem, de seca. Só isso pode explicar a quantidade de músicas pedindo chuva. Faz chover, derrama tua chuva, vem com tua nuvem, abre as comportas do céu, derrama a chuva, chuva de avivamento.. .

Em contrapartida, também fala-se muito de fogo. Quando não é chuva, é fogo. Realmente é fogo ouvir tanta coisa assim. Tinha até uma música (?) falando do "diabo fazendo careta, e o crente com esse fogo faz churrasco de capeta". Acho que a mesma música ainda falava de "fogo no diabo da cabeça aos pés".

As outras falavam de fogo como algo bom. Não consigo ver isso na linguagem bíblica. Fogo sempre está relacionado a destruição, juízo, etc. Era tanto fogo que, é claro, tinha que ter alguém se derretendo. Pois é exatamente o que diz uma das músicas que ouvi, num super arranjo instrumental, muita animação, uma letra boa até o ponto que fala que "eu vou me derreter..."

Lembrei-me, e não tinha como não lembrar, dos amigos de Daniel, na fornalha... nem um fio de cabelo tostado, inteiros, intactos. Eles não derreteram. Também lembrei de Paulo escrevendo aos Coríntios dizendo que "se alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um, pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo FOGO (...) se a obra de alguém se queimar (derreter), sofrerá ele dano." Bem... eu continuo querendo não ser derretido.

Outra coisa. Alguém pode pedir para os "levitas" pararem de pregar entre as músicas? O pior é que o choro das milhares de "valadões" deu lugar a voz ofegante e "cansada" dos "Quinlans, Sheas e Fernandinhos" . Parece que os camaradas correram uma maratona antes de chegarem ali, então gritam com voz rouca, emocionada, sensual (também, com tanta música falando de beijo, abraço, colo, carinho, etc). E o público delira...

Previsão do tempo na música "gospel": Se não tiver chuva, o tempo vai ficar nublado. Só isso pra explicar a quantidade de nuvens no céu da música evangélica. As nuvens de glória nem deixam o sol da justiça brilhar, esse é o problema. Aliás, nuvem de glória não, shekiná (esqueci que tudo agora tem que ser em hebraico). Shekiná prali, Shekiná pra lá, nuvem, peso de glória, nuvem carregada. Sai de baixo... vem temporal aí!

Aliás o tempo também está propício a romances. Como tem músicas românticas no nosso meio. Engraçado é que pra não dizerem que fizeram uma música SOMENTE romântica, todas elas têm algo do tipo "Deus quem me deu você", só pra não admitirem que o que queriam mesmo, no fundo no fundo, era fazer sucesso no meio secular, como cantores românticos. Mas como a qualidade não é lá essas coisas, permanecem no meio "gospel", pois aqui qualquer porcaria vende (lá também, mas o jabá é mais alto).

Outro lado dessa moeda, e esse eu acho pior, são as músicas
românticas-sensuais- eróticas que são dedicadas a "Jesus". Também, não era de se esperar menos, afinal de contas, com uma NOIVA tão desesperada. .. É um tal de "quero teu colo", "teu carinho", "quero te beijar, te abraçar"...

Mais legal ainda são algumas capas de CD´s com um Jesus "saradão" vindo resgatar a noiva. Aliás, eu gostaria de perguntar uma coisa: Quem seqüestrou a noiva??? A noiva está sendo preparada ou está em cativeiro??? Sim, porque é tanto clamor pro noivo vir resgatar a noiva que eu já nem sei mais o que pensar. E eu pensando que a noiva estava sendo adornada, purificada,
preparada para as Bodas do Cordeiro. Que nada! Ela está sob domínio do inimigo, necessitando ser resgatada pela SWAT angelical ao comando do noivo "saradão".

Aliás, realmente eles pensam que é assim. Só isso pode explicar tantos cânticos pedindo "libertação" e "cura" para os que já foram salvos. E mais uma vez eu aqui, com cara de trouxa, acreditando que a liberdade conquistada na cruz era suficiente, que o sacrifício ÚNICO de Jesus bastou para me libertar. Nada disso! Todo culto eu tenho que clamar: "Vem me libertar", "Quebra minhas cadeias", "Enche meu coração vazio", "Liberta-me Senhor". E eu pensando que "se, pois, o FILHO vos libertar, VERDADEIRAMENTE SEREIS LIVRES". Que bobagem a minha...

Bem... na verdade foram poucas horas que consegui essa façanha de ficar ouvindo uma rádio evangélica. Não agüentei nem 6 horas... mais um pouco e eu surtava... e eu não podia surtar, estava trabalhando. .. sintonizei na MPB FM... e dei graças a Deus pela boa música popular brasileira.. .


José Barbosa Junior é escritor, pregador e editor do site Crer e Pensar


O sexo triste dos jovens

"A nós, adultos, cabe não desviar os olhos, mas trabalhar na esperança de que um dia nossos adolescentes conheçam o sexo com ternura"

Procuro ser aberta ao novo, ao que me agrada no novo e também ao que exige um certo tempo para ser assimilado. Às vezes há o que não vale a pena ser assimilado, então, vou buscar outras paisagens. Eventualmente não sabemos se vale ou não, então, a gente fica humilde e espera. Uma novidade (para mim) espantosa, narrada e confirmada em mais de um lugar no país, é dessas que não quero assimilar. Se possível, enterrava numa cova funda, varrida para baixo de mil tapetes, fazia de conta que não existia: o sexo (ou simulacro de sexo) sem encanto, sem afeto, sem tesão, o sexo triste ao qual são coagidos pré-adolescentes, quase crianças, em famílias de classe média e alta. Essas que pensamos estar menos expostas às crueldades da vida.

Talvez eles não precisem comer lixo, correr das balas dos bandidos, suportar brutalidades e incestos, tanto quanto os mais desvalidos. Seu mal vem sob outro pretexto: o de ser moderno e livre, ser aceito numa tribo, causar admiração ou inveja. Cresce, que eu saiba, o número de meninas de 12 a 14 anos grávidas. O impensável ocorre muitas vezes em festinhas nas quais se servem bebidas alcoólicas (que elas tomam, ou pagariam mico diante das amigas, e com essa desculpa convencem os pais confusos), não há nenhum adulto por perto (seria outro mico, e assim elas chantageiam os pais omissos), e ninguém imaginaria o que ia rolar.

Nessas ocasiões pode rolar coisa assombrosa sob o signo da falta de informação, autoridade e ação paternas. Nem sempre, mas acontece. Crianças bêbadas no chão do banheiro de clubes chiques, adultos cuidando para não sujar o sapato no vômito não são novidade (ambulância na porta, porque algumas dessas meninas ou meninos passam mal de verdade); quantas meninas consigo beijar na boca numa festinha dessas? Em quantos meninos consigo fazer sexo oral? Sexo que vai congelando as emoções ou traz uma doença venérea, quem sabe uma absurda gravidez – interrompida num aborto, de sérias consequências nessa idade, ou mantida numa criança que vai parir outra criança.

"Roubaram a sexualidade desses meninos", me diz uma experiente terapeuta. Não deixaram tesão nem emoção, mas uma espécie de agoniado espanto, nessas criaturas inexperientes que descobrem seu corpo da pior maneira, ou aprendem a ignorá-lo, estimuladas ou coagidas por incredulidade ou fragilidade familiar, pelo bombardeio de temas escatológicos que nos assola na TV e na internet, com cenas grotescas, gracejos grosseiros em torno do assunto – "valores" e "pudor", palavras hoje tão arcaicas. Efeito da pressão de uma sociedade imbecilizada pela ordem geral de que ser moderno é liberar-se cada vez mais, sem saber que dessa forma mais nos aprisionamos. Precisamos estar na crista da onda em tudo, tão longe ainda da nossa vida adulta: sendo as mais gostosas e os mais espertos, desprezando os professores e iludindo os pais, sendo melancolicamente precoces em algumas coisas e tão infantilizados e ignorantes em outras, nisso incluindo nosso próprio corpo, emoções, saúde e vitalidade.

A nós, adultos, cabe não desviar os olhos, mas trabalhar na esperança (caso a tenhamos) de que nossos adolescentezinhos, às vezes ainda crianças, vivam de maneira natural essa delicada fase, e um dia conheçam o sexo com ternura, na tesão de sua idade – forte e boa, imprevista e imprevisível, com seu grão de medo e perigo, beleza e segredo. Que essas criaturinhas sejam mais informadas e mais conscientes do que, muito mais protegidas que elas, nós éramos. Mas seguras e saudáveis, não precisando lesar sua bela e complexa intimidade com tamanha violência mascarada de liberdade ou brincadeira. Sobretudo, sem serem estimuladas a lidar de modo tão insensato com algo que pode lhes causar traumas profundos, ou anular um aspecto muito rico de sua vida. É difícil, mas a gente precisaria inventar um movimento consciente, cuidadoso, responsável, contra essa onda sombria que quer transformar nossas crianças em duendes pornográficos, deixando feias cicatrizes, e fechando-lhes boa parte do caminho do crescimento e do aprendizado amoroso.

Recebi este texto pela internet como sendo da consagrada escritora brasileira Lya Luft